História

O Chile percorreu um longo caminho para se tornar atualmente um dos maiores exportadores de vinhos do mundo. São séculos de história, desde a chegada dos colonizadores espanhóis. Os europeus logo perceberam que o território chileno gozava de um clima muito privilegiado, que rapidamente se tornou uma área ideal para o cultivo de uvas trazidas da Europa. Durante a expansão econômica em meados do século XIX, as famílias abastadas do Chile enxergaram na França um modelo de negócios a imitar na produção de vinhos.

Os chilenos importaram variedades importantes de uvas europeias pouco antes que a grande praga do parasita filoxera-da-videira devastasse os vinhedos do Velho Mundo. No Chile, esses enxertos importados cresceram e se tornaram, sem querer, em um material genético muito valioso para o futuro, especialmente porque permitiu que a cepa Carménère, quase extinta na Europa, se desenvolvesse oculta em meio às plantações de uvas Merlot.

 

Durante o Império Espanhol, soldados e exploradores conhecidos como conquistadores foram enviados para a América do Sul em 1534. Em 1540, Pedro de Valdivia liderou uma expedição de 150 espanhóis no Chile, derrotando os nativos, conhecidos como Mapuches, e fundou a cidade de Santiago em 1541.

Valdivia foi declarado o primeiro governante do Chile e a cidade de Santiago mais tarde se tornou a capital do país.

Em 4 de setembro de 1545, Pedro de Valdivia enviou uma carta para o Imperador da Espanha, Carlos V, informando-o que não havia mais vinho disponível para celebrar missas em Santiago. Em resposta a sua carta, garrafas de vinho e as primeiras vinhas foram enviadas para o Chile para serem plantadas no país para garantir o suprimento contínuo de vinho para as missas.

Houve prosperidade assim que grandes riquezas foram feitas na mineração de cobre. Chilenos ricos viajavam para a Europa com frequência, particularmente para a França.

Em 1834, a pedido de Claudio Gay, botânico francês, as autoridades chilenas estabeleceram o “Quinta Normal de Agricultura” com espécimes que incluíam vinhas da Europa, como Cabernet Sauvignon, Malbec, Sémillon e Chardonnay.

Uma das lideranças desse movimento foi o industrial/político/agricultor Don Silvestre Ochagavia Echazarreta, às vezes considerado o pai do vinho moderno no Chile. Está escrito que ele trouxe vinhas e um enólogo da França em 1851, fazendo vinhos de estilo chileno usando
variedades de uvas francesas. A partir desse período, a influência da França no vinho chileno se tornou mais presente que a da Espanha.

O século 20 – marcado pelas duas grandes guerras mundiais, Lei Seca nos Estados Unidos e cenário ruim da economia mundial – influenciou a indústria vitivinícola chilena.

Nos anos 1960 e 1970, houve uma série de reformas agrárias que levaram à quebra de diversas grandes propriedades. Os donos dessas terras sempre foram apoiadores da indústria do vinho.

Somente na década de 1980 é que a indústria reviveu, em parte devido à abertura dos mercados estrangeiros e também devido à introdução de novas tecnologias, como tanques de aço inoxidável para fermentação. Em 1982, o vale de Casablanca foi desenvolvido como uma nova região de clima frio começando uma nova onda de produção de vinho no Chile. Isso continua até hoje com as recentes descobertas de regiões como San Antonio e Leyda, Limarí e a região sul.